Pedro: Depois dos 90 minutos deste domingo (06), o Brasil está fora da Copa do Mundo, eliminado nas oitavas de final para a Noruega, por 2 a 1. Com a desclassificação, a seleção encara o maior jejum de sua história, superando os 24 anos de 1970 a 1994.
Vimos nesta Copa, em fases anteriores, um Brasil de futebol pouco vistoso, mas competitivo, de brilhantes protagonistas, menos no jogo de ontem.
A postura com que o Brasil encarou a Noruega, tendo melhores jogadores e camisa infinitamente mais pesada é sintomático. A eliminação desta edição é a menos dolorida das 6 últimas, porque não representa o time que o torcedor conhece.
Mateus: Talvez a palavra que mais defina está eliminação seja a apatia. Sendo sincero, eu não esperava o título mundial, porém ser eliminado para a Noruega nas oitavas de final se configura no maior vexame da seleção em Copas do Mundo desde o 7 a 1 para a Alemanha em 2014.
A desclassificação começa ainda lá em 2023 quando o na época presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues aceitou esperar seis meses por uma possível vinda de Ancelotti que não se concretizou no momento. O treinador italiano assumiria a seleção somente em maio de 2025.
Logo o ciclo para 2026 da Seleção Brasileira foi extremamente conturbado. Foram 4 técnicos no comando, iniciou com Ramon Menezes, técnico interino e da seleção Sub-20; depois veio Fernando Diniz, também interino e alternando o trabalho na seleção com o Fluminense; em seguida Dorival Jr, que foi demitido após uma sonora goleada da Argentina por 4 a 1 nas eliminatórias para a Copa. Por último, Carlo Ancelotti que teve pouco tempo de trabalho e fez um trabalho pífio nesta Copa do Mundo.
Pedro: É claro que não se deve apontar vilões, canalizar a decepção da eliminação em um jogador ou membro da comissão técnica é ressentimento disfarçado de análise. O Brasil foi passivo e pouco contundente, desistiu da idéia de jogo de pressão na saída de bola e preferiu doar o protagonismo da partida para os noruegueses, com medo de não conseguir ser protagonista.
Atribuo isso à insegurança geral depois do ciclo constrangedor pós-Copa de 2022, ao pouco tempo de trabalho e às lesões, principalmente a do Paquetá. Sem ninguém com as suas características, acho que Carlo Ancelotti adotou uma postura mais pragmática do que nunca, que resultou em um time muito apático, que entrega a bola para a Noruega e não pressiona a saída.
Mateus: A postura pragmática adotada até certo ponto por Ancelotti fazia muito sentido ao dar a bola para a Noruega e buscar explorar a profundidade deixada pela equipe adversária. Entretanto, a equipe brasileira poucas vezes conseguiu incomodar a Noruega e quando teve suas chances de tirar o zero do placar acabou errando na tomada de decisões.
Questão pouco comentada é como o Brasil perdeu seu meio-campo sem o Lucas Paquetá para esta partida, mesmo sendo uma equipe que joga em transição, Paquetá conseguia cadenciar as jogadas e acelerar no momento necessário.
Outra questão, no início do segundo tempo, o Brasil tinha voltado bem para a partida com o Endrick encaixando no time. Porém, o Ancelotti desmanchou a equipe para colocar o Neymar. Com isso, o Endrick foi jogar na direita, deixando o corredor direito do Brasil, com o frágil lateral Danilo, muito exposto e uma das nossas maiores armas ofensivas longe do gol adversário.
Pedro: É claro que o gol que o Endrick perdeu vai ser mais uma daquelas imagens que vão se repetir para sempre na nossa cabeça e que o Neymar é o jogador mais decisivo da nossa geração, mas o camisa 10 que vimos ontem é uma sombra do que a gente conhece.
Neymar entrou frio, sem ritmo e por óbvio sem intensidade para combater a saída de bola norueguesa, além de recuar Endrick, que é mal marcador, para uma região onde a seleção estava muito exposta.

Mateus: Sem Rayan, Martinelli e Matheus Cunha, o Brasil perdeu combatividade na primeira linha de marcação, deixando Berge controlar a bola como queria. Outro jogador que foi absoluto na partida foi o Odegaard que jogou com total controle durante o segundo tempo.
Com o sistema defensivo brasileiro perdido, Gabriel Magalhães e Marquinhos bateram cabeça na marcação e Haaland foi letal para eliminar as chances de classificação do Brasil.
Para fechar o caixão do Brasil, o Neymar converteu o pênalti e foi provocar o goleiro Nylland, enquanto o Brasil era eliminado de forma vergonhosa mais uma vez da Copa do Mundo. Talvez seja um alívio que jogadores cínicos e apáticos não estarão no próximo ciclo de Copa.
Pedro: A tosca cena do Neymar nos minutos finais pode ter representado alguma indignação, principalmente pela mais tosca atuação da seleção durante a partida, mas acima de tudo, naquele contexto, demonstra o descontrole que acompanhou o craque Neymar Jr. durante toda sua carreira.
Em sua última copa, sem condições de competir, o camisa 10 expôs a si e seus companheiros, que pediram durante todo ciclo o craque entre os convocados. Por outro lado, pode ser benéfico que o Brasil termine essa pobre participação com ele em campo, dessa forma fica escancarado que, por mais que tenhamos dificuldade de admitir, precisamos repensar nossa maneira de pensar futebol no Brasil.
















