Por Pedro Dall’Agnol e Mateus Alves
Pedro: Nesta segunda-feira (29), às 14 horas, o Brasil encara o Japão, na sequência da Copa do Mundo Fifa 2026. A novidade é a fase 16 avos, como é inédita a quantidade de seleções e, também, pelo fato de a competição, pela primeira vez, ser disputada em três países-sede.
Primeiro adversário da canarinho nas etapas de mata-mata, o confronto com os japoneses era esperado pela maioria dos observadores. Eu, inclusive.
A próxima pergunta é se o Brasil, pentacampeão do mundo, é o favorito? Acredito que sim.
O futebol japonês tem uma trajetória de evolução marcante. Está presente pela nona vez consecutiva em uma Copa do Mundo. Desde a estreia, em 1998, o País do Sol Nascente se classificou para todas as edições do torneio.
A ascensão, no entanto, deve parar na força e peso da amarelinha e as cinco estrelas no peito.
Uma eliminação do Brasil, nos 16 avos, com o futebol que a seleção apresentou nos três primeiros jogos, para mim, seria uma decepção.
Mateus: Eu também vejo que uma eliminação na fase 16 avos de final seria uma enorme decepção para o torcedor brasileiro, principalmente por causa da qualidade técnica individual dos jogadores. Entretanto, o Japão, comandado por Hajime Moriyasu, demonstrou ser um time muito competitivo, com alta disciplina tática e troca de passes rápida no meio-campo.
Além disso, vejo esse como o confronto mais difícil do Brasil, desde o início da Copa do Mundo. Principalmente porque o Japão sabe explorar os pontas, questão que vejo como o calcanhar de Aquiles da defensiva brasileira. No entanto, também vejo o que tem funcionado. Brasil tendo as principais ações da partida com uma pressão alta para recuperar a bola.
Pedro: Alguns menos otimistas, vão alegar que em confronto recente, em amistoso preparatório, o Brasil sofreu a virada e perdeu por 3 a 2, para os japoneses. Entendo, porém, que amistoso é amistoso.
A seleção, com uma defesa formada por Carlos Augusto, Beraldo, Fabrício Bruno, Paulo Henrique e Hugo Souza, sofreu após as mudanças e tomou dois gols em falhas individuais, principalmente do zagueiro do Cruzeiro e do goleiro do Corinthians.
Nenhum dos atletas que formaram a linha defensiva do Brasil, durante o amistoso, foram convocados para a Copa do Mundo. Nem Joelinton, Caio Henrique e Richarlison, que entraram durante a partida.
Mateus: Talvez o discurso pé no chão possa ser visto como positivo ao Brasil, se olharmos os retrospectos das últimas duas Copas, o Brasil acabou sendo eliminado por Bélgica, em 2018; e Croácia, em 2022. Seleções de um escalão abaixo da seleção brasileira e mesmo assim o selecionado nacional sofreu e voltou mais cedo para o País.
O próprio técnico Carlo Ancelotti, durante coletiva de imprensa, disse para a torcida brasileira ir com calma, até mesmo porque a seleção brasileira está evoluindo, mas ainda precisa de ajustes. Principalmente na proteção da cabeça de área. Este será um teste para Casemiro, mostrar que realmente deixou o péssimo primeiro jogo contra o Marrocos para trás.

Pedro: É claro que no futebol tudo pode acontecer, inclusive uma eliminação para uma seleção organizada e competitiva como a do Japão, mas eu não gosto dessa supervalorização dos adversários que parece ter virado tendência no Brasil. Cheira-me a “vira-latismo”.
Não me surpreenderia, que no caso de uma vitória sobre o Japão, os mesmos que pintam esse coitadismo brasileiro, se contradizerem desmerecendo a seleção japonesa, como contra a Escócia.
Mateus: Outro fator, é que o Brasil tem Vinícius Jr. A nossa principal referência técnica tem desequilibrado os jogos como poucos nesta Copa do Mundo e chamado a responsabilidade para si. Um protagonista que o Japão não tem, inclusive por causa dos desfalques por lesão, como o Mitoma e Minamino.
















