Desde o início da Copa do Mundo, mais de 136 milhões de brasileiros já acompanharam pelo menos uma partida do torneio na televisão, segundo dados do Ibope. Em um evento que domina as conversas em mesas de bar, grupos de mensagens, redes sociais e até filas de mercado, ainda há quem questione a presença das mulheres nas discussões sobre futebol.
Comentários como “não sabe nem o que é impedimento e quer dar opinião” continuam sendo frequentes nas redes sociais e, muitas vezes, têm mulheres como alvo. Para a jornalista, professora e pesquisadora Larissa Bezerra, essa cobrança mostra que o futebol ainda está longe de ser um espaço verdadeiramente democrático.
“A gente sempre fala que o futebol é um espaço democrático, que abrange todo mundo. Nós, mulheres, sabemos que não é tão real assim”, afirma, em entrevista ao Maringá Post.
Mesmo diante desse cenário, ela acredita que a presença feminina nas conversas sobre o esporte deve ser cada vez mais natural.
“Mas a gente pode ocupar esse espaço e pode fazer ser mais real, ser mais democrático, ser mais diverso”, completa.
Bezerra é jornalista, professora e pesquisadora – e o futebol está presente nas suas três profissões. Ela se interessa pelo assunto desde criança, quando via sua mãe jogar bola.
Na época, ela ainda não entendia tanta coisa – apenas que era corinthiana, que gostava do esporte e que sua mãe jogava muito bem.
Jornalismo pelo futebol
O jornalismo veio depois, inclusive, graças ao futebol. Seu interesse pelo jogo de bola era tanto que ela decidiu pesquisar sobre o assunto e incluí-lo em sua profissão. Hoje, ela é fundadora do Lado Esquerdo da Arquibancada, um blog sobre contextos, reflexões e análises do futebol.
Em sala de aula, Larissa incentiva estudantes a enxergarem o futebol para além do entretenimento. Para ela, o esporte também é um fenômeno social, cultural e político, e quem pretende trabalhar na área precisa buscar contexto, pesquisa e senso crítico.
Gostar e falar sobre futebol como forma de ocupar espaço
Ao mesmo tempo, ela faz uma distinção entre quem deseja atuar profissionalmente na cobertura esportiva e quem simplesmente gosta de acompanhar os jogos.
Na avaliação da pesquisadora, mulheres não precisam ser especialistas para assistir às partidas, comentar lances ou participar das conversas sobre futebol.
“Tem tanta gente falando sobre coisas que não entende na internet, que são muito mais sérias. Sobre um monte de coisa que não deveria, e com segurança. A gente tem direito de ocupar esse espaço, de falar sobre o assunto sem medo, sabe? A gente pode ocupar esse espaço e pode fazer ser mais real, ser mais democrático, ser mais diverso.”
Durante a Copa do Mundo, quando o futebol ganha ainda mais espaço no cotidiano dos brasileiros, Larissa acredita que ampliar a participação feminina nas arquibancadas, nas redes sociais e nas rodas de conversa também faz parte da transformação do esporte.
Confira a entrevista completa:
https://www.youtube.com/watch?v=og9s0GSP_LE
















