Esportes

Clubes buscam saída para o fim dos patrocínios das bets

Clubes buscam saída para o fim dos patrocínios das bets

Tempo de leitura: 3 min

Grandes equipes começam a procurar novos patrocinadores, ampliar receitas e renegociar contratos após a mudança nas regras das apostas

A saída das casas de apostas do mercado brasileiro abriu um problema imediato para os grandes clubes de futebol.

Em 2025, os clubes da Série A receberam cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios de bets, segundo levantamento da Sports Value. Em 2026, 14 dos 20 clubes da primeira divisão tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster.

Agora, as equipes precisam encontrar alternativas para uma fonte de receita que ocupou os espaços mais valorizados das camisas.

A estratégia, porém, não é igual para todos.

Corinthians e os paulistas

Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo já participaram de reuniões conjuntas para discutir os efeitos da mudança e alternativas comerciais.

No Corinthians, uma das iniciativas é a negociação com a Caixa Econômica Federal para os naming rights da Arena por dez anos. A proposta envolve também ações relacionadas ao Fiel Torcedor e outras operações comerciais.

O clube também recebeu uma proposta da Fatal Model para ocupar o espaço máster.

Palmeiras trabalha para enfrentar a possível perda da Sportingbet, que ocupa o principal espaço da camisa. O clube participa das articulações coletivas dos grandes paulistas e terá de buscar uma empresa de outro setor caso o contrato não possa continuar.

São Paulo mantém contrato com a Superbet até 2030, mas o acordo prevê mecanismos para suspensão ou encerramento caso haja impedimento legal para a publicidade de apostas.

O clube, portanto, ainda está diante de uma situação contratual antes de partir para uma substituição definitiva.

No Santos, a situação é mais imediata. O clube congelou o contrato com a Novibet e iniciou uma força-tarefa para retirar a marca de uniformes, placas, redes sociais e demais propriedades.

Como solução provisória, o Santos passou a considerar a utilização da marca Sócio Rei em espaços que ficarem vagos.

Flamengo e clubes do Rio

O Flamengo adotou inicialmente uma estratégia de espera e negociação.

O contrato com a Betano foi colocado em situação de suspensão enquanto se aguarda a evolução do cenário jurídico e regulatório.

O clube não anunciou, até o momento, um novo patrocinador para substituir a empresa.

A estratégia é preservar o contrato enquanto houver possibilidade jurídica de continuidade, evitando uma troca precipitada.

Fluminense e Vasco também enfrentam a necessidade de substituir ou reorganizar contratos ligados às apostas.

O Fluminense tem contrato com a Superbet e, assim como o São Paulo, precisa avaliar as cláusulas existentes antes de definir uma substituição.

O Vasco havia passado meses sem patrocinador máster e fechou em julho com a Sportingbet. Com a nova situação, o clube volta a enfrentar a necessidade de reorganizar sua principal propriedade comercial.

Sul: Grêmio e Internacional

Grêmio e Internacional já estavam enfrentando dificuldades antes da nova crise.

O Grêmio rescindiu com a Alfa Bet no fim de 2025 depois de problemas de pagamento e passou meses sem patrocinador máster.

A direção chegou a rejeitar propostas consideradas baixas e procurava empresas de outros setores.

O clube também negociou com empresas para ocupar diferentes espaços da camisa, numa estratégia de dividir as propriedades comerciais em vez de depender de um único patrocinador.

O Internacional também está sem patrocinador máster desde a saída da Alfa Bet, em janeiro.

A direção vem monitorando o mercado e procurando uma proposta considerada adequada para a principal propriedade da camisa.

O cenário gaúcho mostra uma diferença importante: Grêmio e Internacional já vinham tentando diversificar suas fontes de receita antes da atual crise das bets.

Uma estratégia comum

Apesar das diferenças, existe uma linha comum entre os clubes.

A primeira é procurar empresas de outros setores para ocupar o espaço máster.

Bancos, empresas de tecnologia, saúde, indústria, varejo, alimentos, transporte e serviços aparecem como segmentos capazes de disputar essas propriedades.

A segunda é aumentar a utilização comercial de outras áreas.

Naming rights de estádio, programas de sócio-torcedor, placas, espaços digitais, eventos, produtos licenciados e ações com torcedores ganham importância.

A terceira é dividir melhor os espaços da camisa.

Em vez de depender de um único contrato milionário, os clubes podem comercializar mangas, costas, calções, ombros e outras propriedades separadamente.

Também existe uma frente coletiva.

Clubes e federações discutem com o governo alternativas financeiras e uma possível linha de crédito para ajudar as equipes durante a transição.

O BNDES, porém, informou que não participa de qualquer discussão para financiar clubes e que possui vedação estatutária para esse tipo de operação.

O momento é de transição.

Os clubes ainda não conseguiram substituir, de forma geral, o volume de dinheiro que as bets colocaram no futebol.

Por isso, a tendência imediata é combinar novos patrocinadores, exploração de propriedades comerciais, aumento das receitas próprias e redução da dependência de uma única fonte de dinheiro.

No caso dos nove clubes analisados, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Grêmio e Internacional estão em situações diferentes, mas enfrentam o mesmo desafio: preencher um espaço comercial que, em poucos anos, passou a valer centenas de milhões de reais.