Cristiano Ronaldo deixou nesta quarta-feira (30) a concentração da seleção portuguesa, em Copenhague, e abriu uma crise no início da passagem de Jorge Jesus pelo comando da equipe.
A saída ocorreu depois de uma sequência de episódios que começou na partida contra a Noruega, vencida por Portugal por 2 a 1.
Ronaldo ficou no banco durante os 90 minutos. Chegou a aquecer, mas Jorge Jesus decidiu não colocá-lo em campo. O atacante deixou o estádio sem participar do tradicional cumprimento aos torcedores portugueses.
Depois, Ronaldo passou a realizar trabalhos individuais, em vez de treinar normalmente com o grupo.
Jorge Jesus tentou minimizar o episódio. Disse que Ronaldo estava insatisfeito por não ter jogado, mas afirmou que não havia conflito entre os dois.
Nesta quarta-feira, porém, o treinador reforçou publicamente uma questão que parece ter sido decisiva para a crise: o estatuto do jogador não mudaria suas decisões.
Jesus afirmou que as regras seriam iguais para todos e que nenhum jogador, independentemente de sua importância, mudaria suas escolhas.
A situação piorou quando o treinador confirmou que Gonçalo Ramos seria novamente a primeira opção para o ataque contra a Dinamarca.
Pouco depois da entrevista, Ronaldo deixou o estádio antes do treinamento.
Em seguida, comunicou a decisão de abandonar a concentração. Segundo o próprio jogador, a saída ocorreu depois de uma conversa com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Ronaldo não anunciou aposentadoria da seleção.
Também não afirmou que nunca mais jogará por Portugal. Disse apenas que, posteriormente, explicará “a verdade” sobre os motivos que levaram à sua decisão.
O episódio é especialmente relevante porque Ronaldo e Jorge Jesus tinham uma relação próxima.
Os dois trabalharam juntos no Al Nassr, da Arábia Saudita, e conquistaram o campeonato nacional. Jesus chegou a assumir o clube após um convite de Ronaldo.
Agora, a relação que parecia ser uma vantagem para a seleção transformou-se em um dos primeiros grandes problemas do novo treinador.
E agora?
Portugal precisa enfrentar a Dinamarca sem Ronaldo e terá de administrar uma situação delicada dentro do elenco.
Jorge Jesus terá de sustentar sua autoridade e, ao mesmo tempo, reorganizar o ataque.
Ronaldo, por sua vez, terá de decidir se sua saída é apenas temporária ou se representa o começo do encerramento de sua trajetória internacional.
A resposta ainda não existe.
O que está confirmado é que, aos 41 anos, o maior artilheiro da história de Portugal deixou a concentração no meio da Liga das Nações e transformou uma discussão sobre escalação em uma crise que agora envolve o jogador, o treinador e a Federação Portuguesa de Futebol.
















