A dor de duas famílias se encontrou na tarde desta segunda-feira, 27, em frente ao Prever, em Maringá. Enquanto aguardavam os procedimentos após a perda dos filhos, duas mães que perderam jovens vítimas de acidentes de trânsito protagonizaram uma cena de forte emoção: um abraço de solidariedade em meio ao luto.
Uma delas era Fernanda, profissional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que perdeu o filho em um acidente na Avenida Guaiapó. A outra era Cristiane Oliveira, mãe de Gabriel Muniz, de 20 anos, que morreu após ficar dez dias internado em decorrência de uma colisão registrada no cruzamento da Avenida Guaiapó com a Avenida Dona Sophia Rasgulaeff, em Maringá.
O momento foi registrado pelo repórter André Almenara, que conversou com Cristiane durante a despedida do filho. Em entrevista, a mãe de Gabriel não escondeu a revolta e a dor pela perda do jovem, que segundo ela tinha uma vida dedicada a ajudar outras pessoas.
“Meu filho, posso dizer que meu filho foi assassinado, porque o que fizeram com meu filho no trânsito foi matar o meu filho”, afirmou. Cristiane também deixou um recado ao motorista da caminhonete envolvida no acidente.
“Você que bebeu e passou naquela avenida correndo, você matou o meu filho. Você matou o meu filho e você não teve coragem até agora de pedir perdão pela maldade, pela crueldade, por toda a dor que você causou”, declarou.
Mãe relembra filho como um jovem solidário e cheio de sonhos
Durante a entrevista, Cristiane falou sobre a personalidade de Gabriel e destacou o carinho que o filho tinha pelas pessoas.
“Meu filho só tinha 20 anos. Meu filho era um menino cheio de luz, um menino bom, um coração gigante. Um menino que ajudava todo mundo, que tirava roupa do próprio corpo para levar nos albergues, que fazia marmita para dar para o pessoal que estava morando na rua”, contou.
Segundo ela, Gabriel tinha muitos planos para o futuro. Entre os sonhos do jovem estavam construir uma família e continuar ligado à dança, atividade que marcou parte da vida dele.
“Ele queria casar, ter filhos. Ele dançou muito tempo, era dançarino, e falou que ia dançar no Brasil inteiro. Ele foi para muitos estados do Brasil, ganhou muitos troféus. Ele era um menino sensacional, um menino de ouro”, disse emocionada.
Família acompanhou Gabriel durante dez dias na UTI
Gabriel permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer graves ferimentos no acidente. Durante o período de internação, a família manteve a esperança de recuperação.
Cristiane contou que ela, o marido, o outro filho e o sobrinho criaram uma rotina para estar ao lado do jovem.
“A gente fez um processo de todo dia entrar lá e falar só coisas boas para ele, incentivar ele. Ele melhorou, mas depois piorou de novo. Pegou uma bactéria, pneumonia, e ele não conseguiu”, relatou.
Motorista admitiu ter ingerido bebida alcoólica antes da colisão
O acidente que vitimou Gabriel aconteceu na noite de 17 de julho, no cruzamento da Avenida Guaiapó com a Avenida Dona Sophia Rasgulaeff.
Conforme apurado pelo Portal GMC Online, o motorista da Chevrolet Blazer envolvida na colisão foi preso em flagrante e admitiu, durante interrogatório à Polícia Civil, que havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir.
Segundo o depoimento, ele afirmou que havia parado em um estabelecimento com a esposa e que os dois teriam consumido três cervejas.
O condutor também declarou que não percebeu a aproximação da motocicleta no momento em que atravessava o cruzamento.
Após o acidente, o teste do bafômetro apontou resultado de 0,48 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões, índice que configura crime de trânsito conforme o Código de Trânsito Brasileiro.
O homem permaneceu preso por três dias, pagou fiança e foi liberado. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Trânsito da Polícia Civil, que analisa laudos periciais, depoimentos e possíveis imagens de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica da colisão.
“Não tenho espaço no meu coração para odiar”
Questionada pelo repórter André Almenara se conseguia perdoar o motorista envolvido no acidente, Cristiane afirmou que ainda não sabe como lidar com a dor, mas disse não carregar ódio.
“Eu não sei. Eu não tenho espaço no meu coração para odiar ninguém. Eu não consigo ainda te odiar, eu não consigo ter ódio de você ainda, porque eu não tenho espaço no meu coração para isso”, afirmou.
















