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Atirador que matou família por engano em Sarandi pode pegar mais de 50 anos de prisão

O homem apontado como autor dos disparos que resultaram em um triplo homicídio em Sarandi, na Região Metropolitana de Maringá, foi preso na noite desta terça-feira, 2, em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. A captura de Jhonatan Sales dos Santos, conhecido como “Pepe”, encerra a fase de buscas pelo suspeito, considerado foragido da Justiça desde o crime que chocou a cidade.

Na tarde desta quarta-feira, 3, forças de segurança de Sarandi realizaram uma coletiva de imprensa para detalhar o avanço das investigações e afirmar que o caso está, até o momento, elucidado. Segundo a Polícia Civil, a motivação do crime permanece ligada a uma disputa de território entre grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas, mas as vítimas teriam sido assassinadas por engano.

Atirador teria errado o alvo e executado pessoas inocentes

Durante a coletiva, o delegado José Pacheco afirmou que a investigação conseguiu esclarecer autoria, materialidade, motivação e circunstâncias do ataque. “Com base nos elementos de informação colhidos, damos o caso por elucidado. Foi possível apurar autoria, materialidade, bem como as circunstâncias e motivação deste triste crime”, afirmou.

De acordo com a Polícia Civil, o mandante do atentado teria determinado a execução de duas pessoas que supostamente integrariam um grupo rival do tráfico em uma área considerada estratégica para o comércio de drogas. No entanto, o executor teria cometido um erro no momento da ação.

Segundo Pacheco, o suspeito seguiu para o local errado e atacou outro estabelecimento, localizado a cerca de 100 metros do alvo original. “O atirador cometeu um equívoco no momento em que foi até o local pré-determinado. Era para ele ter entrado em uma direção, mas seguiu no sentido contrário, indo a outro bar próximo, onde acabou ceifando vidas de pessoas inocentes”, explicou o delegado.

Foto: Polícia Civil

Família foi morta por engano em Sarandi

No ataque, morreram Jéssica de Jesus Hass, de 32 anos, Rafael Moreira do Amaral, de 37 anos, e Matheus Souza do Amaral, de apenas 15 anos. Segundo informações da Polícia Militar, Jéssica e Rafael eram casados, enquanto Matheus era sobrinho do casal. As investigações apontam que nenhum deles possuía relação com o alvo inicialmente pretendido pelos criminosos.

Foto: Reprodução

Além das três mortes, outras pessoas presentes no bar também teriam sido alvo do atirador, o que resultou na apuração de tentativas de homicídio.

Prisão após oito dias de caçada

Jhonatan possuía um mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná e foi localizado após um trabalho integrado entre setores de inteligência das polícias do Paraná e de Santa Catarina. Segundo a Polícia Militar, o suspeito foi preso no momento em que desembarcava de um carro de aplicativo em frente a uma residência monitorada pelas equipes.

O tenente-coronel Frank destacou a atuação conjunta das forças de segurança e o apoio da população para localizar o suspeito. “Desde o primeiro dia, Polícia Militar e Polícia Civil atuaram de forma integrada. Tivemos também apoio de forças de segurança de outros estados, denúncias da população e um intenso trabalho de inteligência”, afirmou.

Foto: Reprodução

Ainda conforme Frank, o suspeito teria recebido apoio de pessoas em Santa Catarina durante o período em que esteve foragido.

Investigação mobilizou forças de segurança

O delegado Willian Araújo Ribeiro, também responsável pelo caso, classificou os últimos dias como exaustivos para os investigadores.

“Foram oito dias intensos de investigação, com policiais trabalhando inclusive nos dias de folga, de forma ininterrupta, trocando informações com a Polícia Militar, Guarda Municipal e recebendo denúncias da população”, disse.

Foto: Equipe GMC Online

Segundo ele, o avanço das investigações permitiu a realização de duas operações anteriores, que resultaram na prisão do motorista que teria levado o atirador ao local do crime, no dia 27, e do suposto mandante do atentado, preso no dia 30, em Maringá.

Com a prisão do executor, ocorrida nesta terça-feira (2), todos os principais investigados do caso estão detidos.

Suspeito responderá por triplo homicídio qualificado

De acordo com a Polícia Civil, Jhonatan deverá responder por triplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio, já que uma das testemunhas presentes no bar teria sido alvo de disparo enquanto tentava fugir. A polícia informou ainda que o suspeito possui antecedentes por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, associação criminosa e homicídio.

Após a prisão, ele foi encaminhado ao Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde permanece à disposição da Justiça. Um aparelho celular apreendido durante a operação será analisado pelos investigadores.