Esportes

Atletas sofrem com interrupção de treinamento e pista deteriorada do Willie Davids

Maringá Post

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Maringá, cidade que revelou nomes olímpicos do atletismo brasileiro, enfrenta reclamações de atletas sobre dificuldades de acesso a espaços de treinamento. Nesta semana, esportistas ligados ao atletismo e ao salto em distância ficaram impedidos de usar a pista do Estádio Regional Willie Davids por conta da montagem da estrutura para um evento marcado para sábado (30). Após a realização do encontro, o espaço voltará a permanecer interditado para a montagem do palco de um show previsto para ocorrer no local.

Segundo atletas ouvidos pela reportagem do Maringá Post, a situação compromete diretamente a preparação física e técnica dos competidores. Um esportista, que preferiu não se identificar por medo de represálias, afirmou que alguns atletas podem ficar semanas sem treinar adequadamente por falta de alternativa com a mesma estrutura.

“A pista precisa ter uma marcação padrão. Essa marcação é a gaiola, e ela não pode ter bolha no decorrer das raias. Lá na nossa pista tem raias que já estão sem a parte da borracha, e tem tantas bolhas que, se você não tomar cuidado vai cair, a marcação está errada e a gaiola foi retirada”, comenta.

Especialistas apontam que bolhas nas pistas sintéticas de atletismo compromete a segurança dos atletas. Foto: Mari Parma

 

Histórico de Atletas

Maringá revelou alguns dos principais nomes do atletismo paranaense e nacional nas últimas décadas. Entre eles estão a velocista olímpica Tábata Vitorino, representante do Brasil nos Jogos de Tóquio 2020, e Renan Corrêa, que disputou os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A cidade também possui histórico de destaque em provas de meio-fundo, velocidade e salto.
Apesar da tradição esportiva, atletas afirmam que o atletismo local enfrenta dificuldades estruturais. Entre as reclamações está a impossibilidade de Maringá sediar competições de maior porte por causa de problemas na pista do Willie Davids, situação mencionada por esportistas ligados à modalidade.

 

Pista da UEM

Outro ponto citado pelos atletas é a condição da pista da Universidade Estadual de Maringá (UEM), apontada como alternativa ao estádio municipal. Segundo relatos, o espaço reúne potencial para treinamentos, mas enfrenta limitações relacionadas à manutenção.

 

Pista da UEM já foi sede do Campeonato Paranaense Caixa de Atletismo Menores em 2015. Foto: arquivo cedido

Ao ser questionada sobreas condições atuais da pista e se existe alguma previsão de melhorias ou manutenção, a Universidade declarou que a pista é um laboratório didático-pedagógico, destinado ao suporte das atividades de ensino, pesquisa e extensão — não se caracterizando como uma instalação esportiva de uso irrestrito por qualquer pessoa. Além disso, afirmou que utilização do local segue critérios institucionais que priorizam, em ordem de importância, as aulas dos cursos de graduação e pós-graduação, as atividades vinculadas aos projetos de extensão universitária e o desenvolvimento de pesquisas científicas.
Quanto à manutenção do local, a UEM comunicou que o Departamento de Educação Física (DEF) e a Reitoria trabalham para obter recursos junto ao Governo do Estado e à Secretaria de Esporte de Maringá para a revitalização da pista.

O Maringá Post pediu um posicionamento da Prefeitura sobre as interdições da pista para eventos e os impactos na rotina de treinamento dos atletas. Também questionamos sobre as reclamações sobre a estrutura da pista e se há previsão de manutenção ou alternativas para os esportistas durante os períodos de interdição. A Secretaria de Esporte e Lazer informou que as características do Estádio Willie Davids são de um espaço de uso múltiplo. Além das modalidades esportivas, o local abriga eventos culturais que podem exigir a montagem de estruturas que ocupam, de forma temporária, parte da pista de atletismo.

Além disso, explicou que, conforme especificado em contrato, as empresas que locam o espaço devem manter os cuidados para preservação do gramado e da pista de atletismo. Afirmou também  que a montagem das estruturas é acompanhada e monitorada pelos servidores responsáveis pela administração da Vila Olímpica. Em relação à previsão de manutenção da pista, a Secretaria de Esporte e Lazer informou, ainda, que já está em articulação com o Governo do Estado para obter recursos para a reforma da referida pista.