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Sarandi forma campeões nacionais e vê nova geração ganhar espaço no judô

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal — Enzo Zanchin

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Dois judocas de Sarandi conquistaram, em 2026, resultados inéditos para a cidade em um Campeonato Brasileiro. Enzo Zanchin, de 12 anos, foi campeão da categoria Sub-13, no superpesado, enquanto Matheus Novaes, de 13, terminou em segundo lugar na Sub-15, até 80 quilos.

Os dois começaram no judô ainda crianças. Enzo entrou no esporte aos quatro anos e Matheus aos cinco. Desde então, passaram por competições estaduais, campeonatos nacionais, vitórias e derrotas até chegarem ao pódio brasileiro neste ano.

Foto: Arquivo pessoal — Enzo Zanchin (à esquerda) e Matheus Novaes (à direita), ainda crianças.

Os resultados também garantiram aos dois uma vaga no Campeonato Pan-Americano, previsto para novembro, em Cancún, no México.

Enzo voltou ao Brasileiro depois de perder a vaga em 2025

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Enzo chegou ao título brasileiro após uma tentativa que não terminou como esperava.

Em 2025, ele disputou o Campeonato Brasileiro Sub-13 com o objetivo de conseguir a classificação para o Pan-Americano, mas não conseguiu a vaga. Segundo a família, a experiência mudou a preparação para a temporada seguinte.

Em 2026, voltou ao campeonato nacional, realizado em Macapá (AP), e terminou como campeão da categoria superpesado, acima de 73 quilos.

No caminho até a final, venceu adversários de Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Na decisão, derrotou o representante de Santa Catarina.

A competição reuniu 488 atletas de 25 federações estaduais.

Além do título brasileiro, Enzo acumula sete títulos paranaenses conquistados entre 2023 e 2026 e dois títulos do Campeonato Brasileiro Região V, em 2025 e 2026.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Segundo a técnica Janaína dos Santos, Enzo chegou à competição concentrado no objetivo.

“Ele estava muito focado e dava para sentir que aquele era o dia dele ser campeão.”

A rotina do atleta inclui treinos diários nos períodos de preparação, alternando judô e musculação. A família também conta que ele costuma conciliar os treinamentos com os estudos e já deixou de participar de festas e outros compromissos para cumprir a programação esportiva.

Enzo diz que tem como objetivo chegar aos Jogos Olímpicos.

Matheus chegou à final entre 29 atletas

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Matheus começou no judô aos cinco anos. A entrada no esporte foi incentivada pela família como uma forma de ajudar no controle da hiperatividade.

O gosto pelas competições fez com que ele permanecesse na modalidade.

“Eu gosto de competir, o judô me faz sentir melhor.”

 Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal 
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

No Campeonato Brasileiro Sub-15 deste ano, disputado em Aracaju (SE), Matheus chegou à final da categoria até 80 quilos e terminou com a medalha de prata. A categoria tinha 29 atletas.

O resultado garantiu a classificação para o Pan-Americano e foi o melhor resultado nacional da carreira do judoca.

Antes da competição, ele já sabia que o primeiro ou o segundo lugar poderia garantir a vaga internacional.

“Foi muita alegria”, lembra ao falar do momento em que recebeu da sensei Janaína a confirmação da classificação.

A rotina de Matheus inclui judô de segunda a quinta-feira, das 15h às 16h30, além de musculação de três a quatro vezes por semana. Ele também pratica jiu-jítsu às segundas, quartas e sextas-feiras e aos sábados.

Para Janaína, a chegada à final foi acima da expectativa da equipe. Segundo ela, Matheus apresentava qualidade física e técnica, mas a categoria Sub-15 reúne adversários de nível elevado.

O que vem até novembro

A preparação inclui treinos físicos e técnicos e também atenção à parte psicológica. Segundo a técnica, o trabalho busca fortalecer o autocontrole e a capacidade de lidar com a pressão da primeira competição internacional.

Para Janaína, além do desempenho no tatame, o Pan-Americano deve proporcionar aos dois uma experiência importante para a formação como atletas. Ela destaca valores como responsabilidade, dedicação e humildade e, ao falar sobre a viagem, recorreu a uma frase atribuída a Jigoro Kano, fundador do judô:

“Nunca te orgulhes de haver vencido a um adversário; ao que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.”

Sarandi já levou outros atletas ao Brasileiro

Os resultados de Enzo Zanchin e Matheus Novaes dão continuidade à presença de judocas de Sarandi em competições nacionais. Nos últimos anos, atletas como Yasmin Eustáquio, Luan Eckel, Gabriel Viana, Mikaelly Celestino, Brenda Guabiraba e Evelyn Zanchin disputaram Campeonatos Brasileiros.

Luan Eckel terminou em quinto lugar no Brasileiro Sub-13 de 2019. Gabriel Viana também ficou em quinto, na categoria Sub-15, em 2022. Já Evelyn Zanchin disputou, em 2026, o Brasileiro Sub-15 e o Campeonato Brasileiro Região V.

A formação de novos atletas continua nas categorias de base. Entre os nomes citados pela técnica Janaína dos Santos estão Maria Vitória, Yara Guabiraba e Henri Constantino, da categoria Sub-11.

Atualmente, a Associação de Judô de Sarandi informa ter 136 judocas cadastrados, sendo 46 federados. Os atletas competem das categorias Sub-9 ao Sênior.

Os registros da associação apontam 77 competições disputadas, 798 lutas e 226 medalhas conquistadas: 59 de ouro, 63 de prata e 104 de bronze. Em 2026, foram 12 competições, 156 lutas, nove medalhas de ouro, nove de prata e quatro de bronze.

Janaína atua no judô em Sarandi há cerca de 20 anos e mantém um projeto social há 13. O trabalho reúne seis professores e atende atletas de diferentes categorias. Para ela, as conquistas recentes são resultado de um processo construído ao longo desse período.

“Nada veio da noite para o dia. São 13 anos de projeto social e 20 anos de judô em Sarandi”, afirma.

Com Enzo e Matheus classificados para o Pan-Americano de novembro, a equipe agora concentra a preparação dos dois para a competição internacional, enquanto mantém o trabalho de formação com os demais atletas que seguem nas categorias de base.