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Lava Jato ainda aparece nas urnas de 2026

Lava Jato ainda aparece nas urnas de 2026

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A Operação Lava Jato, iniciada em 2014, ainda terá reflexos nas eleições de 2026. Levantamento sobre os registros eleitorais identificou 75 candidatos que, em algum momento, foram investigados, denunciados, presos ou tiveram processos relacionados à operação e seus desdobramentos.

Mas há uma diferença importante: ser alvo da Lava Jato não significa ter sido condenado.

Entre os 75 nomes, nove chegaram a ser presos. O grupo inclui políticos de diferentes partidos e com situações jurídicas bastante distintas. Há casos de absolvição, arquivamento de inquéritos, denúncias rejeitadas e condenações posteriormente anuladas ou atingidas por decisões judiciais.

Dentro desse universo, um levantamento específico identificou seis candidatos que chegaram a receber condenações em processos relacionados à Lava Jato: Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, Delúbio Soares, André Vargas, Eduardo Cunha e Luiz Argôlo.

Os seis estão distribuídos por dois partidos. Quatro são do PT e dois do Republicanos.

Lula disputa a Presidência pelo PT. José Dirceu concorre a deputado federal por São Paulo, Delúbio Soares a deputado federal por Goiás e André Vargas a deputado federal pelo Paraná.

Pelo Republicanos, Eduardo Cunha aparece como candidato a deputado federal por Minas Gerais e Luiz Argôlo como candidato a deputado federal pela Bahia.

A situação jurídica, entretanto, não é igual entre eles.

No caso de Lula, o Supremo Tribunal Federal anulou em 2021 as condenações impostas pela Justiça Federal de Curitiba nos processos da Lava Jato. A decisão considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar aqueles casos. Posteriormente, os processos foram considerados prescritos.

José Dirceu também teve decisões favoráveis no Supremo. Em 2024, a Segunda Turma do STF extinguiu uma pena por prescrição. No mesmo ano, o ministro Gilmar Mendes determinou a anulação de atos processuais de duas ações penais contra Dirceu.

André Vargas teve uma ação penal atingida por decisão do STF em 2022. A Segunda Turma declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar aquele processo e anulou os atos decisórios praticados desde o recebimento da denúncia.

Delúbio Soares chegou a ser condenado pela Justiça Federal do Paraná por lavagem de dinheiro em processo relacionado aos desdobramentos da Lava Jato. Em 2019, o STF registrava a condenação de seis anos de prisão mantida pelo TRF-4.

Luiz Argôlo foi condenado pelo TRF-4 em 2016 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena foi fixada em 12 anos e 8 meses de prisão.

Eduardo Cunha também aparece entre os políticos que chegaram a ser presos no âmbito dos desdobramentos da operação. Sua situação eleitoral, porém, precisa ser separada da discussão sobre as condenações da Lava Jato, porque questões de inelegibilidade e registro de candidatura são analisadas pela Justiça Eleitoral.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral estabelece que os pedidos de registro são submetidos à análise da Justiça Eleitoral, que verifica as condições de elegibilidade e os requisitos legais para a disputa.

A diferença entre os números é significativa.

São pelo menos 75 candidatos com algum tipo de ligação com a Lava Jato, mas seis que chegaram a ter condenações relacionadas à operação. Outros nomes foram apenas investigados ou denunciados, tiveram processos arquivados, foram absolvidos ou tiveram as acusações anuladas.

Entre os 75 candidatos identificados, 39 disputam vaga de deputado federal, 17 concorrem ao Senado, oito disputam governos estaduais, cinco tentam uma cadeira de deputado estadual, três aparecem como candidatos a vice-presidente, dois são suplentes de senador e um concorre à Presidência.

O número mostra que, 12 anos depois do início da Lava Jato, seus efeitos políticos continuam presentes na eleição brasileira. Mas os casos não podem ser tratados como se tivessem a mesma situação jurídica.

A distinção entre investigado, denunciado, preso, condenado, absolvido e condenado posteriormente por decisão anulada é fundamental para compreender quem são os candidatos e qual é, atualmente, a situação de cada um.