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A UEFA Champions League continua sendo o maior campeonato de clubes do mundo por uma larga margem, especialmente por trazer os principais times da Europa lutando pelo troféu mais cobiçado do continente, com altas somas de dinheiro investido nessas equipes.
Não apenas isso, mas também os principais jogadores do futebol mundial estão lá – a Copa do Mundo, por exemplo, consegue fazer isso apenas a cada quatro anos e vez ou outra alguma das principais seleções acaba ficando de fora da disputa (e é praticamente impossível se esquecer da Itália numa hora dessas).
Os clubes que fazem parte da competição
Pode-se dizer ainda que alguns dos principais clubes também acabam ficando de fora da Champions, mas o mais comum é que esses clubes não estejam numa boa fase e seus atletas também não tenham ainda esse nível desejado (exceção feita, talvez, à Premier League, que tem alguns clubes com maior poderio financeiro e que acabam ficando de fora por ter um torneio muito mais competitivo).
Apesar disso, grandes clubes de outros países raramente deixam de se classificar – basta ver o Barcelona, que lidou com uma grande crise nos últimos anos e mesmo assim tinha uma vaga quase garantida na competição, ainda que tenha sofrido para se adaptar ao fair play financeiro imposto pela UEFA.
O histórico e a internacionalização de marca
Esses são apenas alguns ingredientes que fazem parte do cardápio da competição, que também tem um histórico gigantesco, a começar por uma época onde apenas os campeões de cada país tinham uma vaga garantida, resultando numa competição muito mais imprevisível e onde zebras não eram tão incomuns (mas também numa época onde o esporte era totalmente diferente).
Além disso, a internacionalização de marca dos clubes europeus é forte no mundo inteiro, e no Brasil não é diferente. Não chega a ser incomum, por exemplo, que algumas pessoas se declarem torcedoras de times europeus por aqui, algo que também tem ocorrido cada vez mais recentemente.
As transmissões
As transmissões também contribuem para este cenário, estando cada vez mais presentes, sendo inclusive muito fácil encontrar os resultados da Champions League em direto até mesmo no seu smartphone ou tablet, demonstrando a facilidade de acompanhar o torneio num mundo globalizado.
Para termos uma ideia, em 2024, na final em que o Real Madrid bateu o Borussia Dortmund, o SBT conseguiu o primeiro lugar na audiência (e num horário que não faz parte da faixa nobre da TV, já que jogos dessa competição ocorrem mais cedo).
Os horários das partidas e os jogadores brasileiros
Esse é também mais um ingrediente para o sucesso de público, já que raramente acontecem jogos dessa competição no mesmo horário de partidas de clubes brasileiros, tornando o produto mais acessível e, num mundo onde o home office ainda está presente, também é possível acompanhar as partidas com maior facilidade.
Há ainda outro fator, os jogadores brasileiros. Sendo uma competição com os maiores atletas deste esporte, há também vários brasileiros atuando por lá, e muitas vezes jogadores que passaram por grandes equipes do Brasil, mas que conseguem criar uma memória afetiva com o torcedor e também acabam por atrair sua audiência.
Tudo isso acaba resultando em outro ingrediente dessa receita, que é o fato de termos jogos de maior qualidade – o que nem sempre acontece por aqui, não somente pelo fato de o futebol brasileiro (a nível de clubes) não estar nesse patamar, mas também pelo calendário que também contribui para termos jogos de menor intensidade do que os da Champions League.
A importância do profissionalismo na organização
É importante frisar também que não apenas os clubes, mas também a UEFA trabalham para exportar um produto de maior qualidade, com uma gestão profissional que raramente se vê no Brasil, não apenas pelos clubes, mas também pelas entidades responsáveis por gerenciar o esporte por aqui.
Com isso, temos uma competição altamente rentável e fácil de comercializar, já que a qualidade é garantida e a audiência vai cada vez mais se acostumando com um produto que até pouco tempo atrás não era tão acessível – passamos de uma fase onde a principal plataforma era a TV a cabo, e hoje vários jogos são transmitidos em TV aberta, o que também é positivo pois atrai um público maior.
Sem os fatores aqui citados, mas sobretudo sem o profissionalismo na gestão do produto, essa não seria uma realidade plausível, já que há um enorme trabalho por trás das câmeras (e com o qual o futebol brasileiro poderia aprender muito mais, se houvesse vontade de quem organiza o espetáculo).
















