
O El Niño deve manter o Paraná sob influência de chuvas acima da média até dezembro de 2026, com possibilidade de temporais intensos, granizo e descargas elétricas. O fenômeno, que está em fase de intensificação no Oceano Pacífico Equatorial, pode atingir níveis históricos nos próximos meses e exige atenção especial em regiões onde a previsão indica os maiores volumes de precipitação.
De acordo com o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), os efeitos devem ser sentidos em todo o Estado, mas as regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste podem registrar desvios mais expressivos em relação à média histórica de chuvas.
As informações constam na atualização do cenário do El Niño divulgada pelo Simepar na quinta-feira (8). Diante da previsão climática, a Defesa Civil do Paraná também intensificou as medidas de prevenção e a preparação dos municípios para possíveis eventos meteorológicos severos.
Quando o El Niño deve atingir o pico?
Os dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) indicam que a temperatura da superfície do mar na região equatorial do Pacífico usada para monitorar o fenômeno chegou a 2,1°C acima da média.
O aquecimento vem aumentando desde abril de 2026, e a presença do El Niño foi confirmada em junho. A projeção é que a anomalia de temperatura alcance aproximadamente 3,3°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Segundo as estimativas citadas no balanço do Simepar, há 83% de probabilidade de o fenômeno se tornar um dos El Niños mais intensos registrados desde 1950. Mesmo depois de atingir o pico, a tendência é que ele continue muito forte durante parte do verão, com possibilidade de permanecer nessa categoria até março de 2027.
Quais regiões do Paraná podem ter mais chuva?
A previsão do Simepar indica precipitação acima da média em todas as regiões paranaenses. No entanto, os maiores desvios em relação aos volumes normalmente registrados para o período são esperados no Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste.
Um dos pontos de atenção é a possibilidade de a chuva ficar concentrada em poucos dias. Esse comportamento pode favorecer episódios de precipitação intensa e elevar o risco de temporais, com raios, granizo e rajadas de vento.
Isso não significa que todas as cidades terão os mesmos volumes ou enfrentarão os mesmos impactos. A distribuição das chuvas depende também das condições atmosféricas de cada período e dos sistemas meteorológicos que atuam sobre o Estado.
O Simepar ressalta que o acompanhamento diário da previsão do tempo continua sendo fundamental. A ocorrência de chuva e a intensidade dos episódios dependem de fatores como a passagem de frentes frias, a formação de áreas de baixa pressão e a atuação de sistemas que permanecem por mais tempo sobre determinada região.
Embora o El Niño aumente a probabilidade de padrões climáticos associados ao fenômeno, sua intensidade, por si só, não determina que os mesmos eventos ocorram em todas as localidades.
Defesa Civil intensifica prevenção nos municípios
Com a perspectiva de um período de maior atenção às chuvas, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) intensificou o trabalho de orientação às prefeituras paranaenses.
Os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) realizaram reuniões com os coordenadores municipais de Defesa Civil dos 399 municípios do Estado. Entre as recomendações estão a melhoria da drenagem urbana, principalmente em áreas com histórico de ocorrências, e a atualização dos planos de contingência.
Até a divulgação do balanço, 278 prefeituras haviam realizado pelo menos uma ação preventiva. Entre as iniciativas estão a limpeza e a manutenção de bueiros e galerias pluviais, o desassoreamento de rios e canais, além da participação em reuniões de orientação e exercícios simulados.
As medidas buscam reduzir os riscos e melhorar a capacidade de resposta das cidades diante de possíveis alagamentos, inundações e outros problemas provocados por eventos meteorológicos intensos.
Escolas estaduais terão simulados para situações de risco
A preparação também envolve a rede de ensino. Por meio do Programa Brigadas Escolares, a Defesa Civil do Paraná e a Secretaria de Estado da Educação elaboraram um guia com orientações para situações como vendavais, granizo, inundações e alagamentos.
O Governo do Paraná iniciou uma nova etapa de preparação nas escolas estaduais, com treinamentos que preveem exercícios simulados em mais de 2 mil instituições de ensino.
O material pode ser utilizado por diretores e professores das redes pública e privada para organizar procedimentos de segurança de acordo com os riscos de cada estabelecimento e da região onde está localizado.
Segundo o coronel Ivan Fernandes, coordenador-geral do Programa Brigadas Escolares, a iniciativa busca fortalecer a cultura de prevenção e preparar as comunidades escolares para agir em situações adversas.
O guia tem 23 páginas e está disponível gratuitamente no site da Defesa Civil do Paraná, em defesacivil.pr.gov.br. O documento orienta a realização de simulados de abandono de edificações, atividade prevista quatro vezes por ano na rede estadual e em escolas especiais.
Criado em 2012, o Programa Brigadas Escolares atua na prevenção, mitigação e resposta a situações que possam colocar em risco estudantes, professores e demais funcionários.
Como receber alertas da Defesa Civil no celular
O monitoramento das condições meteorológicas e dos riscos é realizado 24 horas por dia pela Defesa Civil Estadual, com apoio de meteorologistas do Simepar. Quando há previsão de condições mais severas, o órgão pode emitir alertas para orientar a população.
Os moradores podem receber avisos gratuitos por SMS. Para isso, basta enviar o CEP por mensagem de texto para o número 40199.
Também é possível receber alertas pelo WhatsApp. Para fazer o cadastro, é necessário adicionar o número (61) 2034-2611 aos contatos e iniciar uma conversa para seguir as instruções de registro, que permitem informar o CEP, o município ou a localização.
















