Maringa

Biblioteca comunitária no Requião transforma sonho em espaço

Biblioteca comunitária no Requião transforma sonho em espaço

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Por Rafael Bereta

Um sonho guardado por anos finalmente ganhou forma e endereço. A professora de inglês e apaixonada por leitura, Heidi Haughn Palma, decidiu transformar uma ideia antiga em realidade ao criar uma biblioteca comunitária no Conjunto Requião, com o objetivo de aproximar crianças, famílias e livros de maneira acessível e acolhedora.

Vinda de uma família com forte ligação com a educação, Heidi cresceu cercada por referências pedagógicas, o que ajudou a construir sua relação com a leitura. Mesmo sem ser falante nativa de português, trilhou caminhos diversos — incluindo experiências na área de tecnologia — até retornar ao ensino, onde hoje atua.

A biblioteca surgiu de forma quase impulsiva. Ao passar em frente a uma sala comercial disponível, a professora explica que sentiu que aquele era o momento de tirar o projeto do papel.

“Em poucos dias aluguei o espaço e iniciei essa aventura, a construção do que viria a se tornar mais do que uma biblioteca: um ponto de encontro comunitário”, afirma Heidi ao Maringá Post.

O espaço também carrega marcas do esforço coletivo. As paredes foram pintadas pelos próprios idealizadores. Foto: Rafael Bereta

A proposta

Desde o início, a proposta foi clara: envolver o bairro em todas as etapas. Os idealizadores adquiriram materiais no comércio local, receberam móveis doados por moradores e construíram a própria estrutura com a ajuda de parceiros e voluntários. Eles também produziram as prateleiras de forma artesanal, enquanto uma produtora regional forneceu as mesas infantis.

O espaço carrega marcas do esforço coletivo. Os próprios idealizadores pintaram as paredes e investiram tempo e dedicação para dar identidade ao ambiente.

“A biblioteca não é só nossa, é da comunidade”, reforça Heidi.

Apesar do entusiasmo, o caminho não foi isento de desafios. Problemas de saúde, incluindo um AVC leve sofrido por Heidi, impactaram o funcionamento do espaço, que ainda busca estabilidade nos horários de atendimento. Atualmente, a biblioteca abre durante a semana, no fim da tarde, e conta com o apoio de voluntários para ampliar o acesso.

Localizada próxima a escolas e creche, a biblioteca já faz parte do cotidiano de muitas crianças, que passam em frente diariamente. A proximidade facilita o acesso e desperta a curiosidade dos pequenos leitores.

Com o apoio da comunidade e o desejo constante de crescer, a biblioteca segue aberta — não apenas como um local de leitura, mas como um símbolo de resistência cultural, afeto e transformação social.

Frequentador assíduo do espaço, o estudante Arthur Azaf, de 10 anos, viu a transformação de perto. Além disso, para ele, a biblioteca vai além do aprendizado.

“Antes aqui não tinha nada, agora tem livros. Eu gosto muito de ler e acho que é importante para todo mundo. É um lugar bom para quem quer ficar mais quieto e ler, pensar. Eu acho muito bom”, conta.

Localizada próxima a escolas e creche, a biblioteca já faz parte do cotidiano de muitas crianças. Foto: Rafael Bereta

As bibliotecas comunitárias no Brasil surgiram principalmente a partir de iniciativas de coletivos culturais, moradores e movimentos sociais em periferias e áreas de vulnerabilidade, ganhando força a partir dos anos 1990 e 2000. Elas nascem como resistência cultural e democratização do acesso ao livro, frequentemente de saraus ou doações.

Para mais informações, acesse a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), um movimento brasileiro que articula redes locais de bibliotecas comunitárias para democratizar o acesso ao livro, à leitura e à cultura. Criada em 2015, ela atua com foco na leitura como direito humano, promovendo formação de mediadores, articulação política e qualificação de espaços de leitura em áreas de vulnerabilidade.

//Com informações de Victor Ramalho.