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Ele queria ser jogador de futebol. O sonho de menino não aconteceu nos gramados, mas foi o combustível para uma carreira que o levaria ao topo do esporte mundial. Kleber Barbão não fez gols em Copas, mas suas mãos recuperam os craques que os fazem.
A trajetória do fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Futsal e CEO da Clinisport Prime é o tema do episódio desta semana do Ponto a Ponto, podcast do Jornal Maringá Post. Em uma conversa franca com o jornalista Ronaldo Nezo, gravada na V Mark Produtora e Estúdio, Barbão detalhou como transformou uma sala de seis metros quadrados em um complexo de referência global.
Não foi sorte. Foi método.
O alto nível ao alcance de todos
A história começa em 2007. Recém-formado, Barbão iniciou os atendimentos dentro de uma academia em Maringá. O espaço era mínimo, mas a ambição era clara.
“Eu era tão bom jogador que virei fisioterapeuta”, brincou durante a entrevista. Sem a carreira de atleta, ele decidiu democratizar a excelência. “Minha meta era oferecer [para pessoas comuns] a mesma reabilitação que os atletas de ponta tinham. O slogan era: ‘o alto nível ao seu alcance’”, explicou.
Essa visão criou um nicho inédito na cidade: tratar o paciente comum — a dona de casa, o advogado, o empresário — com a urgência e a técnica do esporte profissional.
A noite que mudou tudo: Falcão e o “não” ao casamento
Um dos momentos cruciais do episódio é o relato sobre como Barbão conquistou a confiança de Falcão, o maior jogador de futsal de todos os tempos. A virada de chave aconteceu em duas etapas. Primeiro, em Brasília, quando Barbão se ofereceu para tratar o craque às 23h, na porta do quarto do hotel, recuperando-o para um jogo no dia seguinte.
Mas a consolidação veio com um sacrifício pessoal.
Em 2014, Barbão recebeu um chamado de urgência: Falcão estava lesionado às vésperas de uma final de liga. O problema? Era o fim de semana em que Kleber seria padrinho de casamento de um grande amigo. “Liguei para o meu amigo e disse: ‘Me desculpa, mas não serei seu padrinho. Apareceu uma das oportunidades da minha vida’”, relembrou.
Ele viajou, tratou, Falcão jogou e foi campeão. Aquele “sim” ao trabalho e “não” ao compromisso social abriu as portas para o acesso a astros como Neymar e Richarlison.
Maringá como estratégia, não apenas origem
Por que ficar no interior? Barbão refuta a ideia de que o sucesso exige estar em capitais. Para ele, Maringá é uma decisão logística e financeira.
“É muito mais fácil um atleta vir a Maringá, se hospedar e tratar na Clinisport do que enfrentar o trânsito de São Paulo”, argumentou. Ele vende a cidade como um pacote de recuperação: qualidade de vida, facilidade de deslocamento e custo-benefício. O atleta foca apenas em melhorar.
A lição de Milão e o carro de luxo na porta
Kleber Barbão não é apenas técnico; é um gestor aguçado. No podcast, ele diferencia “ter um CNPJ” de “empreender”. Para ele, empreender é um estilo de vida focado em resolver problemas.
Uma das inovações da Clinisport — a parceria com marcas de luxo — nasceu de uma viagem à Itália. Jantando em um restaurante japonês em Milão, ele notou um carro de luxo exposto na entrada e taças de espumante personalizadas.
“Aquilo mostrava que o restaurante tinha o mesmo padrão da marca do carro”, explicou. Ele trouxe o conceito para Maringá. Hoje, a presença de grandes marcas na entrada da clínica não é apenas estético, mas uma validação de autoridade e posicionamento de mercado.
O “Quartinho Preto” e o planejamento de vida
Como organizar tantas frentes de negócio? Barbão revelou seu método pessoal: o “quartinho preto”. É um espaço físico onde ele escreve seus valores e desenha o futuro.
A metodologia é regressiva. Ele define onde quer estar em cinco anos. Depois, o que precisa ser feito em três anos para chegar lá. Em seguida, as metas de um ano. “Muitas vezes a gente mira um sonho, mas não faz o planejamento. Sem os passos, fica difícil chegar”, ensinou.
Quando a dor vira propósito social
O ponto mais emocionante da conversa tocou no projeto Neuro, braço da clínica voltado para crianças com sequelas neuromotoras. A iniciativa não nasceu de um plano de negócios, mas de uma UTI.
Barbão relatou a luta pela vida de seu filho, que nasceu com uma má formação congênita. “O meu filho está vivo hoje porque tive condição e informação. Outras crianças também precisam ter”, disse, visivelmente emocionado.
Hoje, o projeto atende dezenas de famílias, muitas vezes subsidiado pela própria estrutura da empresa. “A Clinisport não é mais minha, é da sociedade. O cara lá de cima me deu a chave e falou: ‘cuida’”, concluiu.
Serviço
O episódio completo, com detalhes sobre a gestão, as histórias de vestiário e a visão de futuro de Kleber Barbão, já está disponível.
Onde assistir: Canal do Maringá Post no YouTube
Produção: V Mark Produtora e Estúdio
Apresentação: Ronaldo Nezo
















