Maringa

Prefeitura de Maringá terá que pagar R$ 150 mil a cooperativas e monitorar caminhões por GPS após gestão anterior "esconder" lixo

Prefeitura de Maringá terá que pagar R$ 150 mil a cooperativas e monitorar caminhões por GPS após gestão anterior "esconder" lixo
Uma investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR) revelou como o descaso da administração pública transformou mais de 120 toneladas de materiais recicláveis em um grave problema de saúde pública em Maringá. O caso, que começou com o descarte irregular de lixo no antigo barracão do IBC pela gestão anterior, agora caminha para um acordo que vai obrigar a Prefeitura a indenizar catadores e reformular todo o sistema de coleta da cidade.

Entre janeiro e setembro de 2024, caminhões da empresa terceirizada Paviservice descarregaram 210 toneladas de recicláveis no antigo galpão do IBC – um imóvel público que sequer tinha licença ambiental para armazenar lixo. Apenas uma parte desse montante foi entregue para a reciclagem. O restante – cerca de 121,85 toneladas – ficou escondido no local por meses. Com o tempo e a falta de cuidado, a sujeira acumulou, atriu ratos e gerou um risco grave de transmissão de doenças perigosas, como a leptospirose. O caso foi denunciado na época, pelo vereador Professor Pacífico (Novo).

Por segurança da saúde dos trabalhadores, as cooperativas de reciclagem da cidade se recusaram a mexer no material podre. Sem ter o que fazer diante do estrago, a própria Vigilância Sanitária proibiu o reuso e a Prefeitura teve que pagar para enterrar todas as 121 toneladas de recicláveis em um aterro particular em setembro de 2025.

O MPPR concluiu que a sujeira e a perda de todo esse dinheiro não foram culpa do tempo, mas sim da omissão da gestão do ex-prefeito Ulisses Maia. As cooperativas de catadores foram totalmente absolvidas de qualquer responsabilidade no episódio.

Para reparar o estrago causado às famílias que vivem da reciclagem, o promotor Nivaldo Bazoti propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo prevê que a Prefeitura pague uma compensação financeira de R$ 150.000,00.

Esse dinheiro não vai para os cofres do governo: ele será entregue diretamente para as quatro cooperativas parceiras de Maringá (Cooperpalmeiras, Coopernorte, Coopercanção e Coopercicla) para a compra de equipamentos de trabalho, como prensas, esteiras e equipamentos de proteção.

Além da multa compensatória, o Ministério Público criou um pacote de regras rígidas para impedir que o problema se repita:
 

  • GPS em tempo real: Todos os 13 caminhões da empresa de coleta terão rastreamento obrigatório por GPS. A Prefeitura terá que cruzar os dados de rota e pesagem para provar que o lixo reciclável vai direto para as cooperativas, sem “paradinhas” em galpões clandestinos.
  • Fim do IBC para o lixo: Fica proibido usar o antigo IBC ou qualquer outro local sem licença do IAT para guardar resíduos, sob pena de multa diária de R$ 5.000,00.
  • Limpeza em 48 horas: A Prefeitura terá no máximo dois dias para recolher o lixo não reciclável que sobra nos barracões dos catadores, evitando que o local fique superlotado.
  • Plano de emergência no fim de ano: O Município terá que apresentar todo mês de outubro um plano especial para lidar com o aumento de lixo nas festas de fim de ano.
A conta do prejuízo não deve parar por aí. O MPPR repassou todas as provas e relatórios para a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O objetivo é cobrar de forma pessoal os ex-gestores e secretários municipais envolvidos no depósito irregular em 2024, fazendo com que eles ressarciram os cofres públicos pelos gastos inúteis com frete, estocagem e pelo valor pago ao aterro privado.

Além disso, o Ministério Público reforça que a população também precisa fazer a sua parte: hoje, cerca de 32% do que vai para a coleta seletiva em Maringá é lixo orgânico misturado (comida e sujeira de banheiro), o que estraga o trabalho dos reciclares. O acordo prevê campanhas educativas nos bairros para ensinar os moradores a separar o lixo de forma correta.