Policia

Defesa pede internação psiquiátrica de médico que atirou em hospital da região e feriu paciente

A defesa do médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, afirmou nesta segunda-feira (20) que vai insistir na substituição da prisão preventiva por internação psiquiátrica. O caso ganhou repercussão após o jovem atirar contra um ortopedista dentro do Hospital Cemil, em Umuarama, no noroeste do Paraná.

Em entrevista ao portal OBemdito e à imprensa local, as advogadas Jaqueline Vilela e Bruna Scremin disseram que o cliente enfrenta um “surto psicótico” e precisa de tratamento imediato. Segundo elas, o pedido não busca a liberdade irrestrita, mas sim a transferência para um ambiente adequado.

“A defesa não pede a liberdade para que Gabriel saia e vá para o seu lar. A defesa quer que o Estado resguarde também a saúde dele”, afirmou Scremin.

Gabriel está preso desde quinta-feira (16), após audiência de custódia que converteu a prisão em flagrante em preventiva. Antes disso, a defesa apresentou laudos médicos, prontuários psiquiátricos e até uma declaração de vaga em uma clínica em Cascavel, solicitando a substituição da prisão por internação.

A juíza responsável pelo caso determinou, porém, a realização de uma perícia médica judicial em até dois dias. De acordo com as advogadas, o residente faz acompanhamento psiquiátrico há mais de um ano e foi diagnosticado com transtorno bipolar tipo 1. Elas afirmam que ele está em “nítido surto psicótico” e relatou não se lembrar do que aconteceu.

Ainda na sexta-feira (17), Gabriel foi levado escoltado para avaliação com sua psiquiatra, que reforçou a necessidade de internação imediata. Mesmo assim, o Ministério Público se manifestou pela manutenção da prisão preventiva. A defesa sustenta que o estado de saúde do médico segue delicado. “Ele não responde quando é indagado. Permanece em estado de choque, sendo medicado diariamente”, disse Vilela.

As advogadas também afirmaram que não há, até o momento, uma motivação clara para o ataque. “Não existe qualquer desentendimento anterior com o médico preceptor. A motivação não foi esclarecida”, pontuou Scremin, acrescentando que a hipótese de premeditação ainda é considerada prematura.

Sobre a arma utilizada — um revólver calibre 32 —, a defesa alegou que se trata de um objeto de “histórico familiar” e que a análise sobre o fato de ele estar armado no hospital será aprofundada ao longo do processo. A polícia informou que a arma não tinha registro e que o residente não possuía porte.

As advogadas também negaram qualquer relação com uso de drogas. “Não há uso de substância ilícita. Isso foi relatado inclusive pela própria médica dele”, afirmou Jaqueline. Apesar disso, a defesa reconhece a gravidade do caso. “O fato é grave, aconteceu, e não estamos aqui para afastar a responsabilidade. Mas é preciso olhar o lado humano e garantir tratamento adequado”, concluiu Scremin.

Médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, foi preso após atirar durante atendimento em hospital de Umuarama; defesa pede internação psiquiátrica (Foto Rede Social)

O caso

O médico residente atirou contra um ortopedista durante um atendimento no Hospital Cemil, em Umuarama, na tarde de quarta-feira (15). O disparo atingiu de raspão a cabeça de uma paciente de 58 anos, que não corre risco de morrer. Segundo a Polícia Militar, nem o médico nem a paciente perceberam o momento em que o suspeito sacou a arma. Após o tiro, ele fugiu do hospital, rendeu um motorista, roubou um carro e acabou preso em flagrante pouco tempo depois.

Com ele, foram apreendidos um revólver calibre 32 com seis munições no tambor, outras 17 intactas e duas já deflagradas. O caso é investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio e roubo. O Hospital Cemil classificou o episódio como “incidente isolado” e informou que o médico será desligado do programa de residência. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) abriu sindicância e poderá cassar o registro profissional, dependendo do resultado das investigações.

Revólver calibre 32 apreendido com o médico residente após o ataque em hospital de Umuarama; arma não tinha registro, segundo a polícia (Foto PMPR)

Com informações do Obemdito.