O mês de março traz consigo as reflexões e as homenagens do Dia Internacional da Mulher, mas a realidade nua e crua dos bastidores ainda exige um estado de alerta máximo. Os números de violações e agressões contra o público feminino continuam alarmantes no Brasil e, de forma muito expressiva, no estado do Paraná.
Segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, o Paraná já contabilizou 3.256 casos de violações contra a mulher apenas nestes primeiros meses de 2026. O termo “violação” abrange qualquer ato que atente contra os direitos humanos da vítima, como maus-tratos, agressões físicas e psicológicas, exploração e abusos. Para se ter uma ideia da gravidade, o ano de 2025 fechou com 14.507 ocorrências no estado.
Maringá no ranking e o perigo da subnotificação
A capital Curitiba lidera o triste ranking estadual com 817 casos neste ano. No interior, Maringá aparece como a 4ª cidade com maior número de ocorrências, somando 138 registros, ficando atrás apenas de Londrina (261) e Ponta Grossa (139).
O dado mais preocupante revelado pelo levantamento, no entanto, é o silêncio. Desses mais de três mil casos paranaenses em 2026, apenas 407 se transformaram em denúncias efetivadas formalmente. O medo do agressor, a dependência financeira e a falta de uma rede de apoio costumam ser os principais fatores que impedem as vítimas de buscarem as autoridades.
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unopar, Ma. Juliana Aprygio Bertoncelo, trazer os números à tona é o primeiro passo para mudar esse cenário. “Trazer essa temática para o debate social conscientiza não apenas na identificação de condutas reprováveis, mas informa sobre onde e quando se deve denunciar. É uma forma de as mulheres se sentirem acolhidas e apoiadas umas às outras”, avalia a advogada.
Como pedir ajuda e denunciar
Romper o ciclo de violência salva vidas. O Brasil conta com redes especializadas de proteção que podem ser acionadas por vítimas ou por qualquer cidadão que presencie uma agressão:
Ligue 190 (Polícia Militar): Canal para emergências e perigo iminente. Uma tática recomendada por especialistas em situações onde o agressor está perto é ligar para o 190 e conversar como se estivesse pedindo um delivery (uma pizza ou um lanche). Os atendentes são treinados para identificar o pedido de socorro e enviar uma viatura ao local.
Ligue 180: A Central de Atendimento à Mulher recebe denúncias de forma anônima, acolhe a vítima e a orienta sobre os próximos passos.
DEAMs: As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher estão preparadas para realizar a investigação, o enquadramento legal do agressor e a solicitação imediata de medidas protetivas de urgência.
















