O futebol europeu vive mais um episódio lamentável de racismo, mas desta vez com uma gravidade inédita na carreira de Vinicius Jr. A partida entre Benfica e Real Madrid, realizada na última terça-feira (17/02) pela Uefa Champions League, terminou em polêmica e denúncia formal. A Uefa confirmou, na manhã desta quarta-feira (18), a nomeação de um Inspetor de Ética e Disciplina para investigar as acusações de que o atacante brasileiro teria sido chamado de “macaco” pelo argentino Gianluca Prestianni, do clube português.
O Momento do Insulto
A confusão teve início aos cinco minutos do segundo tempo, logo após Vini Jr. marcar o único gol da partida. Durante a celebração, o brasileiro foi alvo de protestos dos jogadores do Benfica. Foi nesse cenário de tensão que, segundo a denúncia, Prestianni teria se aproximado e proferido a palavra “mono” (macaco em espanhol), utilizando a própria camisa para cobrir a boca e evitar a leitura labial pelas câmeras de transmissão.
Para agravar a sensação de injustiça, Vini Jr. acabou recebendo um cartão amarelo da arbitragem por sua comemoração, fato que ele classificou posteriormente como um “protocolo mal executado”.
O Desabafo de Vini: “Racistas são fracos”
Conhecido por sua luta incansável contra o preconceito nas arquibancadas, Vini Jr. usou suas redes sociais para expor, pela primeira vez, um colega de profissão. O texto foi duro e direto:
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida… Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória, mas é necessário.”
A Versão de Prestianni e o Apoio do Elenco
Do outro lado, Gianluca Prestianni negou veementemente as acusações. Em comunicado, o jogador do Benfica afirmou que Vini Jr. “interpretou mal” o que escutou e inverteu a acusação, dizendo-se vítima de coação. “Jamais fui racista e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid”, declarou o atleta.
Nos bastidores, o clima no vestiário do Real Madrid é de total solidariedade. A ESPN apurou que Kylian Mbappé foi um dos primeiros a sair em defesa do companheiro ainda em campo e publicamente após o jogo. O Flamengo, clube formador de Vini, também emitiu nota oficial lamentando que o jogador continue sendo atacado “simplesmente por ser quem é”.
O Que Acontece Agora?
A entrada do Comitê de Ética e Disciplina da Uefa muda o patamar do caso. Diferente de incidentes com torcedores, onde a punição recai sobre o clube (multas, perda de mando), o racismo praticado por um atleta pode levar a suspensões longas e banimento de competições europeias. O investigador analisará imagens, áudios e relatórios da arbitragem antes de decidir se abrirá um processo disciplinar formal contra Prestianni.
















